Cinco patinhos foram passear
I) minha irmã é assim, esse doce:
- raquel, tu tá linda!
- meu bem, eu não
estou linda, eu..
- nem vem dizer que tu é linda, não, porque tu não é.
II) um dia, eu vou saber fazer/identificar montes de intertextos. Ler sobre tardes proustianas e comentários acacianos e me sentir inteligente pelo menos uma vez na vida.
III) hoje uma amiga minha falou que, quando ela visitou a Alemanha, viu tanta coisa bonita que comentou com o pai dela que só queria era poder lembrar de tudo aquilo. Ele disse "se preocupa não, minha filha, fica tudo guardado na sua alma". Eu nunca estive na Europa, mas já vi e vivi coisas bonitas e fiquei me perguntando se aquelas de que eu já não lembrava também tinham sido seguramente guardadas na minha alma. É uma consolação.
IV) vieram me falar que a vida é dos descomplicados, ao que a minha voz interior respondeu "poxa, raquel, que vida dureza que você vai ter, hein"
V) ultimamente tenho dormido cansada pra acordar mais cansada ainda. É o estresse. Vestibular é uma dor de cabeça (no meu caso, uma dor nas costas).
Meu conselho é: não faça medicina. Se medicina for o sonho da sua vida, a razão da sua existência, a menina dos seus olhos, estude; estude pra passar de primeira porque cursinho é uma chateação sem fim. Se você levou pau na primeira tentativa, apanhe os caquinhos do seu coração do chão e respire fundo.
(só para esclarecer, eu nunca segui meus próprios conselhos)
Definições: terror:
Meus. Cabelos. Estão. Caindo.
Curtindo um barato
(ou O Dia Em Que Eu Me Transformei Em Calango)
Semana passada, no dia dos namorados, eu redescobri o sol. (adoraria dizer que essa é uma metáfora de apaixonada, mas não - redescobri o sol no sentido literal mesmo)
A gente estava saindo do colégio, conversando e esperando o transporte da minha amiga levar todo mundo pra casa dela, quando eu olho pro céu e nadamaistemimportânciaporquemeudeusquecéuéaquele!. Azulzinho, limpinho, convidativo e hipnotizante, dizendo "abandone essa vida e vá para a praia". Eu nem gosto muito de praia, mas quem é que pode resistir a um céu desses, principalmente depois de tantas semanas de chuva, chuva e chuva.
Enquanto eu lutava contra a vontade de pegar um ônibus e cair no mar de calça comprida e all star, saí da sombra e tive a minha epifania toda de novo.
O sol.
Sabe criança pequena, que vive redescobrindo o mundo? Pois foi exatmente assim que eu me senti. Claro que, depois do quase dilúvio, eu já tinha andado sob o sol, mas normalmente não era bom assim. Quentinho (mesmo sendo uma da tarde), reconfortante, delicioso. Eu abri os meus braços (nem me pergunte onde eu tinha colocado meus livros) e fiquei em êxtase, sem me importar com nada, porque tudo é um detalhe quando se é a dona do mundo. Eu estava me drogando com sol, sem sentender por que diabos ainda tinha gente que usava crack.
Aí o transporte da minha amiga chegou, e eu fui comemorar minha solteirice com brownie e pão de queijo.
Descobri
um instinto maternal que eu nem sabia que tinha.
Isso é uma pena porque:
- no ritmo em que as coisas andam, eu não vou arranjar nem marido, quanto mais filho. (e, sim, eu quero casar e ter filhos, necessariamente nessa ordem)
- eu não sei o que acontece quando se tem instinto maternal acumulado. Não quero criar gatos (ou cachorros, ou beija-flores) nem quero virar daquelas tias chatas que ficam dando palpite na criação dos filhos dos outros. (meus pais já dizem que eu já me meto na vida da minha irmã menor o suficiente)
São tantas emoções
(vá entender esse meu mau-gosto para títulos)
Segunda-feira é um dia ruim porque carrega o trauma do bom e velho oh-meu-deus-que-triste-é-voltar-à-realidade, mas, dando a César o que é de César, a verdade é que ela nem é tão horrível assim. A aula que antecede o recreio é de inglês, e o resultado disso é que, às segundas, meu intervalo dura cinquenta minutos a mais. (e não tem trauma que resista a um intervalo que dura o dobro do tempo)
Hoje, a cereja do bolo foi ter achado um beija-flor que tinha se metido por uns corredores do colégio e não sabia mais sair. Resumindo três horas em poucas palavras: a gente gravou um vídeo, mobilizou a coordenação (ou quase isso), juntou uma pseudo-multidão, serviu de torcida pros caras que tavam arriscando quebrar o pescoço pra salvar o bichinho e ainda perdeu uma parte da aula de História.
Como se fosse pouco, pela primeira vez (e única, provavelmente) em toda a minha vida, eu peguei num beija-flor.