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Sou a Bruna, tenho 23 anos, nasci no dia 02 de Agosto, sou do interior de São Paulo, adoro fotos, gatos, café, dias frios e livros.
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Perfume de Patrick Süskind

30/03/2014 • Por Bruna em Livros.

O tema de março do Desafio literário do tigre era “filme ou livro”, entre os livros que viraram filme as opções são muitas, a ideia era ler um livro que tivesse inspirado um filme que eu já tivesse visto mas acabei escolhendo Perfume de Patrick Süskind, apesar de não ter visto o filme, eu tenho uma relação delicada com filmes então me desculpa por ter saído um pouco do tema do mês.

Perfume de Patrick Süskind

A história de Jean-Baptiste Grenouille, que se passa na França do século XVIII, é contada desde o nascimento, de como sua mãe deu a luz e como pretendia deixá-lo morrer, a como ele acabou em um orfanato até ser vendido para um curtidor de couro. Ele é um garoto desafortunado e rejeitado que tem a peculiaridade de não ter absolutamente cheiro nenhum, o que faz com que as pessoas tenham certo medo dele, acreditando que não seja humano, porém ele tem uma incrível sensibilidade olfativa, podendo sentir, diferenciar e catalogar aromas que outras pessoas sequer sabem que existem. Ainda criança ele alimenta o desejo de aprender as artes da perfumaria e se torna obcecado por extrair a essência, primeiro de objetos, depois de animais e pessoas, mas não de qualquer pessoa, e sim de belas moças virgens. Ele dedica todos os seus esforços ao objetivo de conseguir um perfume perfeito, de isolar a essência mais inebriante, não se importante com o que precisa fazer para consegui-la, e assim, ele se torna um assassino, mas não tem prazer em matar, a morte é apenas necessária para evitar perguntas inconvenientes, tudo que ele precisa é do cheiro de sua vítima. Desde pequeno, sua presença não é agradável, mas sua ausência tão pouco ajuda.

É a história de um assassino que não é assustadora, nem muito misteriosa, com certeza não é convencional e, com situações absurdas, está longe de ser realista quanto ao desenrolar dos fatos. Nela vemos o ponto de vista do assassino, que não tem nenhum tipo de relação com as vítimas, não às vê como seres humanos, sequer entende o conceito de humanidade, tudo que ele conhece são os cheiros que deseja possuir. Apesar de ser narrada em terceira pessoa, o autor dá uma visão muito detalhada e sem julgamentos da visão de Grenouille e também das pessoas que entram em sua vida, deixando muito claro aspectos da personalidade de cada um e suas próprias noções de moral e ética, e como seus atos, por pior que sejam, parecem perfeitamente justificáveis em sua linha de raciocínio, o que dá à história uma visão muito interessante das nuances da natureza humana, tornando o livro divertido de uma forma particular que o destaca das típicas histórias de crimes.

O autor passa muito tempo descrevendo técnicas aplicadas na produção de perfumes, já que Grenouille precisa aprende-las para atingir seus objetivos. Achei algumas informações óbvias e desnecessárias, talvez por já estar familiarizada com as técnicas descritas, achei o livro fácil de ler e muito divertido. Porém, se você não sabe o que é um espírito de vinho, se é que não entender uma denominação ou outra te importa, pode achar o livro um pouco maçante, já que grande parte dele é destinada a detalhar técnicas de maceração e destilação, só muitos anos depois de seu primeiro assassinato ele virá a matar alguém com as próprias mãos outra vez e, às vítimas, suas histórias, personalidade, ou mesmo à forma como são mortas, não é dada muita atenção, então apesar de ser a história de um assassino, os assassinatos não tem tanta importância para a história.

O que me chamou a atenção foi o estilo da narrativa, os eventos são contados a partir do ponto de vista do personagem que executa a ação, com seus pensamentos expostos enfatizando como a experiência de vida de uma pessoa influência seu modo de ver as coisas, e tudo de forma muito divertida. Entrou instantaneamente para a minha lista de livros favoritos, não vi o filme, mas não imagino como a densidade dos personagens poderia ser transmitida nele, com certeza não é um trabalho fácil.

Perfume de Patrick Süskind
Perfume de Patrick Süskind
Perfume de Patrick Süskind

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VALIS de Philip K. Dick

28/02/2014 • Por Bruna em Livros.

Li esta edição de VALIS (sigla para Vast Active Living Intelligence System) de Philip K. Dick no formato e-book (o que deve acontecer com a maioria dos livros que vou resenhar aqui) então a resenha vai ser da história mesmo e a edição será ignorada. O livro foi lido para o Desafio literário do tigre que, em fevereiro, tinha como tema “julgando pela capa”. Escolhi esse livro porque a capa era colorida. Agora, quantos anos eu tenho, não é mesmo? Mas senta que lá vem história, mais uma vez eu acabei escolhendo um livro bem complexo pra resenhar.

VALIS de Philip K. Dick “Às vezes uma reação adequada à realidade é enlouquecer.”

Eu levei o tema tão a sério que nem procurei saber nada do livro antes de ler para que isso não me influenciasse, sequer li a sinopse, nunca tinha ouvido falar do autor (shame on me) e, com base apenas na frase na capa, e suas cores =), decidi lê-lo. Justamente pela frase da capa, eu estava esperando algo no estilo Guia do mochileiros das galáxias que é uma das minhas series favoritas, mas me enganei completamente. A história é realmente singular, como eu esperava, mas ao longo do livro comecei a, digamos, concordar com algumas das teorias expostas, e como eu esperava um tipo de humor baseado em absurdos, devo dizer que fiquei um pouco chateada, então resolvi pesquisar um pouco sobre o livro e descobri que, na verdade, ele é basicamente autobiográfico, e isso sim é um pouco absurdo.

Absurdo porque o livro conta a história de Horselover Fat, um cara que tinha a mania de ajudar as pessoas e também de se drogar, que foi atingido por um raio cósmico cor de rosa que deu a ele a capacidade de compreender o universo como um todo. Essa não seria a primeira frase que eu esperaria encontrar na descrição de uma biografia, mas o livro tem seus méritos, assim como o autor.

Inclusive, Horselover Fat é uma brincadeira com o nome do autor: Philip, que em grego quer dizer amigo/ amante de cavalos (horse lover) e Dick, que significa gordo (fat) em alemão. O autor é bastante conhecido e escreveu as histórias que deram origem aos filmes Blade Runner e Minority Report, por exemplo. Os fãs dizem que VALIS não é um bom livro para se iniciar no seu trabalho, e eu entendo porque. Já disse que simpatizo com algumas das teorias mas, se você é um cara que compreende o funcionamento do universo, você provavelmente não o descreve de uma forma muito clara e objetiva, é um assunto complexo afinal de contas, então alguns trechos, bem longos e muito frequentes, são maçantes e podem soar como um monte de baboseira sem sentido, mas toda a informação fornecida é necessária para entender a história e as piadas que costumam aparecer quando ele termina um raciocínio. Coloquei trechos do livro embaixo das fotos em letras pequenas para mostrar um pouco do livro sem deixar esse post ainda maior.

A história conta episódios traumáticos que levam o personagem principal a ter crises e tentar suicídio, ele tem uma certa obsessão em salvar vidas, no sentido de tentar salvar as pessoas delas mesma, ou seja, é fracasso certo. Depois de ter sido atingido pelo raio cor de rosa ele passa a escrever sua exegese (um tipo de tratado religioso), ela é apresentada em trechos ao longo do livro, e na integra no final. O livro vai contra a visão que normalmente se tem de religião, mas fala muito de religiões e fatos históricos que fazem parte delas, ele fala da ideia de que existem outros mundos além deste e que eles estão sobrepostos, então não é um livro que agrada a todo mundo, mas se você gosta do estilo, fica a dica.

Achei a história interessante e diria que vale a pena ser lida apesar de talvez exigir um pouco de esforço, mas só leia com a mente e coração abertos, ou trate tudo como se não devesse mesmo fazer sentido.


VALIS de Philip K. Dick “Quando você é louco, aprende a ficar calado.”

VALIS de Philip K. Dick “É incrível que, quando mais alguém começa a botar pra fora as besteiras em que você próprio acredita, você consegue perceber imediatamente como elas não fazem o menor sentido.”

VALIS de Philip K. Dick
“Parsifal é um daqueles artefatos culturais tortuosos dos quais você tem a sensação subjetiva de que aprendeu alguma coisa, alguma coisa valiosa ou até mesmo que não tem preço; mas ao fazer um exame mais atento, você subitamente começa a coçar a cabeça e dizer: “Espere um minuto. Isto aqui não faz sentido”.”

E o mais importante: “Peixes não podem portar armas”.

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